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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Animais do Bosque: Arara-Canindé (Ara araruna)


Classe: Aves

Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
Nome científico: Ara ararauna

Nome vulgar: Arara-Canindé
Categoria: Ameaçada

Um dos representantes mais conhecidos dos psitacídeos brasileiros é a arara Canindé. Possui o bico preto e uma plumagem caracterizada principalmente pelo azul de suas asas e pelo amarelo de seu ventre. Pode medir até 80 cm de comprimento e pesar quase 1kg. Esta espécie é encontrada desde a América Central até o sudeste do Brasil, Bolívia e Paraguai habitando beiras de mata e várzeas de palmeiras.

Normalmente são observadas voando aos pares ou até mesmo num grupo com três indivíduos, podendo este último ser um filhote. Dormem em bandos com até 30 indivíduos e fazem grandes deslocamentos diários desde a área de alimentação até a área de descanso.

Na época reprodutiva formam casais que permanecem fiéis por toda vida (animais monogâmicos). Fazem a postura dos ovos nos meses de agosto e janeiro, colocando em média 2 ovos com período de incubação de aproximadamente 28-30 dias. Os filhotes permanecem no ninho até a décima terceira semana, período no qual são alimentados pelos pais que regurgitam o alimento em seus bicos.

Nidificam em buracos de troncos ocos de árvores, preferindo os ninhos bem profundos para proteger os ovos e filhotes da ameaça de possíveis predadores, como o tucano e primatas de médio porte. Quando os pais encontram um ninho potencial, eles afofam o fundo do mesmo com a madeira triturada, que raspam das laterais da árvore, facilitando a secagem do fundo que ficará repleto de fezes dos filhotes. Os ovos postos são chocados principalmente pela fêmea que é visitada e alimentada pelo macho.


Os psitacídeos são um dos grupos que mais sofrem com o tráfico de fauna silvestre, pois sua grande diversidade de cores e capacidade de imitar a voz humana desperta o interesse das pessoas no mundo todo, movimentando milhões de dólares por ano. Quando esses animais são caçados para a venda, as árvores que possuem ninhos costumam ser derrubadas. Isso prejudica a reprodução de diversas espécies de aves que utilizam o mesmo ninho em épocas reprodutivas diferentes. Além da caça para a comercialização, sofrem com a contínua destruição do habitat.

Crédito da Foto: Rogério Capela - Rede Anhanguera de Comunicação

(Texto extraído da Apostila do Grupo "Ecos do Bosque")

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Animais do Bosque: Papagaio - verdadeiro (Amazona aestiva)

É a espécie de papagaio mais procurada pelo comércio ilegal de aves vivas, por “aprender” a falar. É o loro encontrado desde as aldeias indígenas até nas cidades, apesar da ilegalidade do comércio. Na verdade, ele não fala no sentido exato da palavra. Por viver em grupos e ter uma intensa atividade de contatos vocais com outros papagaios, mesmo membros de um mesmo casal, está sempre repetindo os sons do grupo. Muitos desses sons são aprendidos ao longo da vida e situam-se na mesma faixa de emissão da fala humana.



O comércio é feito através da captura de aves nos ninhos, com poucos dias ou semanas de vida. Criados artificialmente, entram em contato conosco e nossos sons de contato, a fala. Passam a repeti-los, articulando palavras e, até mesmo, frases, para participar da atividade social do grupo humano onde estão, agora, inseridos. Com a idade, perdem ou diminuem a capacidade de aprender novos sons. Dessa maneira, diz-se que papagaio velho não aprende palavra nova.

Na natureza, formam grupos nas áreas de dormida e, ocasionalmente, em locais de alimentação. Durante o dia, os casais deslocam-se para áreas específicas, voltando à noite. Eventualmente, pequenos bandos seguem esses casais. Mantêm contato através de uma seqüência de dois gritos, semelhantes a latidos de um cachorro, escutados à distância e mais fortes no início.


No começo do período reprodutivo, no início da baixa das águas do Pantanal, os casais saem do grupo e estabelecem territórios de nidificação, de onde todos os outros papagaios-verdadeiros são agressivamente expulsos. Chegam a realizar ataques em vôo, usando as garras e bico para atacar as outras aves. Em casos extremos, embolam-se no ar, lutando até próximo do chão.



O macho, na população do Pantanal, é um pouco maior do que a fêmea. Essa condição pode ser notada quando voam juntos e passam perto do observador. Fazem uma postura de 3 ovos, que são chocados pela fêmea durante 25-28 dias. Os filhotes nascem com intervalos de dois a três dias. Em anos muito bons de alimentação, sobrevivem até dois por ninho. Em geral, um filhote sai do ninho depois de 60 dias de nascido.


No juvenil, a plumagem é semelhante à do adulto, com dominância do verde em todo o corpo, um pouco mais claro na barriga. Na cabeça, o azul da testa e o amarelo da cara, garganta e alto da cabeça são pouco evidentes ou ausentes. Bico negro, uma das características principais da espécie, junto com as penas vermelhas na dobra, da asa (no chamado espelho, sobre a asa) e em uma bola na base das penas longas da cauda. As duas marcas vermelhas da asa são mais evidentes em vôo, embora sejam observadas na ave pousada também.


A quantidade de azul e amarelo na cabeça varia de indivíduo para indivíduo, bem como com a idade. Existem, porém, exemplares quase sem amarelo. No Pantanal, há uma grande parcela de aves com muito amarelo na região da cabeça. Alimenta-se de sementes, frutos e flores. Na estação reprodutiva, no entanto, fica pousado em um galho evidente e emite uma série de vocalizações diferentes, como os dos papagaios de cativeiro.

Créditos das Fotos: Flickr (City Parrots)

(Texto extraído da Apostila do Grupo "Ecos do Bosque")